quinta-feira, 13 de junho de 2013

O delegado e o roubo das rosas


Depois de homenagear as mulheres presentes à reunião do Rotary 500 Anos, com uma rosa, pela passagem do Dia Internacional da Mulher, na última semana, o delegado Ivan Brandt, percebeu que sobraram 14 botões.
De imediato, uma brilhante idéia lhe passou pela cabeça, que tratou logo de colocar em prática. Literalmente “roubou” as flores e saiu de fininho, praticamente sem ser percebido.
Nem mesmo Sherlock Holmes ou qualquer outro detetive do seu quilate poderia imaginar o destino das flores. Quem sabe, você, que está lendo esta crônica agora, dê  um palpite...
Onde um delegado que roubou 14 rosas, numa terça-feira, às 9 e meia da noite poderia levá-las?
Quem imagina que o trabalho do “Dr. Ivan”, como é conhecido carinhosamente em São Francisco do Sul, o “embruteceu”, está completamente enganado. Lidar com a violência e com pessoas que praticam atos que ferem outras pessoas ou dilapidam o patrimônio alheio, torna-o cada vez mais humano, gentil, sensível e carinhoso.
Querem um entre tantos exemplos? Voltemos então às rosas. O dr. Ivan esteve no Lar dos Idosos. Com medo que houvesse mais senhoras do que rosas, largou a cesta no portão e ia saindo do mesmo jeito que do Rotary. De fininho....
Mas não conseguiu o anonimato que pretendia. Surpreendido pelo segurança, a contragosto, teve que entrar. O coração acelerado, a adrenalina a mil, preocupado com o número de rosas e o número de senhoras.
Quando contou, tranqüilizou-se. Eram 14 rosas e 14 senhoras. A reação, os abraços, risos, lágrimas,  a  felicidade e a alegria que proporcionou a 14 senhoras ficam por conta da imaginação de cada um.
A minha me leva a viagens sem fim. Fico pensando em “Dona Maricota”, que já passou dos 80 anos e tem poucas lembranças boas para contar. Dos sonhos quase nem lembra. Um, porém, continuava vivo como o brilho dos seus olhos. Ela queria ganhar uma rosa.
Poderíamos aqui imaginar tantas e tantas histórias que misturam ficção e realidade. Só um delegado com coração de menino e com tanta sensibilidade poderia dar uma alegria deste tamanho a algumas pessoas que deram toda a sua vida, o seu amor, a sua dedicação a alguém e hoje convivem apenas com a solidão em um asilo.
Obrigada Dr. Ivan, por existir, por viver em São Francisco do Sul e por nos dar exemplos tão belos e tão simples. Como diz o meu amigo Gonzalez: “Não dá prá vê-lo como delegado. Você é um educador”.
Aproveitando o seu exemplo, deixo um desafio para mim mesma e para todos os leitores: “que tal uma visita ao asilo ou tentar ajudar alguém a ser mais feliz hoje?”

Véra Regina Friederichs


Texto publicado no Jornal Gazeta das Praias em Março de 2005
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