terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os Acordos da Vida


Leitura: O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, capítulo 17 Sede Perfeitos, item 3, O Homem de Bem

“Os Acordos da Vida”

No livro “Os Quatro Compromissos”, D.Miguel Ruiz, escritor mexicano, ensina quatro propostas da filosofia Tolteca para que a pessoa seja feliz. Cada um destes compromissos ou acordos pode ser comparado com os ensinamentos de Jesus e do Espiritismo.
 Viver na terra é difícil, porque, durante a vida, tomamos decisões que podem nos afastar do caminho do bem. Para nos auxiliar, a providência divina envia mensageiros do bem, que nos indicam os rumos mais seguros. Eles têm orientado a humanidade desde tempos imemoriais.
Os Toltecas eram homens e mulheres com muita sabedoria, que viveram há três mil anos, no sul do México.  Entre eles havia muitos artistas e cientistas que procuravam manter acesas as culturas espiritualistas e a de seus antepassados. Eles viviam na cidade das Pirâmides, onde os homens se tornavam deuses.
Por muito tempo, os toltecas tiveram que esconder a sua filosofia diante da cultura européia, mas foram transmitindo seus conhecimentos de geração a geração, até que D.Miguel Ruiz, que era um deles, nos brindou com os quatro compromissos ou acordos. De uma forma geral, Acordos são aprendizados adquiridos, muitas vezes sem percebermos, sem avaliarmos, que passam a reger a nossa vida. Eles nos podem tornar felizes ou infelizes.
O primeiro acordo para que a pessoa seja feliz é "Falar de forma impecável para que o nosso falar construa o bem, a paz e a felicidade". As nossas palavras estão revestidas de energia. Se humilharmos uma pessoa, estamos, junto com as palavras, enviando energias que poderão influenciar negativamente aquela pessoa. Se falarmos para nós mesmos palavras pessimistas, estamos dirigindo contra nós energias envenenadas. Por isso, esse primeiro acordo lembra o cuidado que devemos ter com as nossas palavras, para que elas veiculem energias benéficas.
Não se trata de um purismo linguístico ou de correção gramatical, mas que busca no ato de falar uma força de poder. A palavra tem força criadora. O que falamos tem força. Com o que falamos construímos ou destruímos. Não é bem a palavra que tem este poder, mas a energia com que falamos. As palavras que utilizamos a nosso respeito se voltam para nós. Se forem positivas, a favor; negativas, contra.
Vamos usar este poder, falando para construir o bem. Quantas vezes, a pessoa atormentada fala: “Eu não valho nada. Não sirvo para nada”. Passada a situação, justifica: “Eu disse numa hora de raiva. Outras vezes, diz para outros. Estamos direcionando para nós ou para os outros o que dizemos, porque aceitamos.
A proposta dos Toltecas em relação à fala é comparável à de Jesus e a de Saulo de Tarso. Eles nos  dizem: “O mal não é o que entra pela boca, mas o que sai dela”. E “A boca fala daquilo que o seu coração está cheio”.
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 766 pergunta: “A vida social faz parte da Natureza?” E o Espírito de Verdade responde: “Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a fala e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação social.
(Relacionar com o interesse atual por banalidades e em conhecer a vida íntima dos outros e à falta de interesse por leitura e atividades culturais, que nos elevem espiritual e moralmente).
Paulo nos recomenda: “Fala aquilo que convém à sã doutrina”.
O segundo acordo é "Não tomar nada pessoalmente". Temos o hábito de tomar tudo pessoalmente, levando a mal as ocorrências da vida. Se formos ofendidos, não devemos levar a ofensa para o lado pessoal. Devemos verificar se a crítica tem algum fundamento, aproveitá-la para o nosso crescimento, em vez de nos ofendermos e absorvermos o desequilíbrio espiritual do ofensor, ficando infelizes. Devemos estudar maneiras para lidar com as críticas e com os elogios de forma a não ficarmos vaidosos com o aplauso, nem arrasados com a crítica.
O nosso grande problema é tomar tudo como se fosse para nós. Começamos a fazer do lixo da alma alheia o nosso lixo. Quando alguém nos disser uma palavra agressiva, isso é com ele. Muitas vezes, a pessoa está brigando com ela mesma. Temos uma expressão que define pessoas assim: “Fulano se acha”, porque diz coisas que não são para ninguém. 
Quando levo pessoalmente, dá vontade de me vingar.
Os toltecas eram mais felizes, porque não levavam para si as coisas positivas nem negativas. Camilo, o guia espiritual de Raul Teixeira lhe recomendou........ aplausos ou críticas. Desta forma ele não fica vaidoso quando acerta e nem se arrasa quando erra.
O Terceiro Acordo é "Não fazer suposições". Costumamos fazer suposições sem averiguar, sem ajuizar e sem procurar confirmação. Normalmente, não temos coragem de verificá-las. Temos a pretensão de, em todas as circunstâncias, ter o nosso juízo sempre correto. Com esta atitude não estamos sendo humildes. Este acordo é mais difícil que os anteriores. Se alguém sorri, dizemos: “Do que aquela hiena está rindo? Só pode ser de mim. E muitas vezes não é.
Num casamento a moça supõe que o amor que ela sente é o mesmo que ele sente por ela. E às vezes não é. Não existe um amorômetro.
Outro exemplo: ela é romântica e ele é frio. Ela supunha que ele era tão meloso quanto ela. E teve seus sonhos frustrados porque supôs e não checou antes do casamento.
O homem espera que a esposa leve café na cama, e que não saia da cozinha inventando comidinhas para ele. E ela detesta cozinha. Ele se frustra porque acreditou na sua suposição e não perguntou.
Quantos percebem os defeitos dos namorados e namoradas e dizem que quando casarem resolverão, que vão consertá-los. E não vão. Para isso existe o falar. Se levarmos a sério todas as nossas suposições, a vida se tornará um inferno.
Jesus disse: “Não julgueis”. A suposição é um julgamento. Quando houver o ti-ti-ti vamos aclarar, vamos ver o que está havendo, vamos procurar o envolvido e esclarecer a questão antes que se torne uma bola de neve.
Chico Xavier e o confrade. Abraçou um bambu.
O quarto acordo é: "Faça o melhor, no tempo disponível", e nos ensina que devemos esforçar-nos para que o nosso trabalho e tudo o que fizermos tenha qualidade.
É uma lição de humildade e de simplicidade. Nós desatendemos as regras do bom senso. Queremos fazer as coisas acima dos nossos limites para depois reclamarmos. A lei do trabalho aparece em “O Livro dos Espíritos”, mas logo depois vem a lei do repouso.
Trabalho acima das minhas forças, fico rico em pouco tempo, enfarto, desencarno e os herdeiros vão desfrutar do que conquistei.
Allan Kardec diz que o limite do trabalho é o limite das nossas forças.
História do discípulo que foi a um templo budista e perguntou sobre a meditação.
Se eu fizer muita coisa, não vou fazer nada de bom. Quem tudo quer, pouco abraça. Os toltecas recomendam que eu faça o meu melhor no meu tempo disponível e de acordo com os meus limites.
As propostas dos toltecas são as mesmas de Jesus Cristo e da doutrina espírita. São quatro ensinamentos universais, que servem de orientação para termos uma vida moral e espiritualmente saudável e mais feliz.
Estes quatro acordos servem de roteiro para trilharmos o caminho do bem e para chegarmos mais perto de ser "O Homem de Bem", definido pela leitura no início da exposição.

Exposição feita por Véra Regina Friederichs ontem, 21/01/2013 no Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec, no Balneário de Ubatuba, ilha de São Francisco do Sul, Norte de SC



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